A Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, promoveu no dia 07 de maio, o I Simpósio de Resiliência Digital: Bases para uma Regulação Estratégica. 

O evento reuniu especialistas de renome nacional para discutir como o Brasil deve se estruturar juridicamente diante da crescente onda de ameaças cibernéticas e da necessidade de garantir a continuidade de serviços essenciais em um cenário cada vez mais digitalizado.

O simpósio contou com representantes de instituições como FEBRABAN, Ministério Público de São Paulo, Comitê Nacional de Cibersegurança, Ministério da Justiça, USP e setor privado, promovendo reflexões sobre prevenção, resposta a ataques digitais, proteção de infraestruturas críticas e os impactos da transformação tecnológica no Direito.

Durante a abertura, a professora Amanda Scalisse Silva, docente de Direito Penal e Processual Penal da ESEG e uma das idealizadoras da iniciativa, anunciou que o simpósio faz parte de um projeto ainda maior, voltado à criação de um grupo de estudos sobre resiliência digital.

“O intuito é colaborar de maneira concreta com a regulamentação da resiliência digital no Brasil. Vamos estudar a legislação, discutir propostas e elaborar documentos que possam ser levados ao Poder Legislativo e às instituições públicas”, afirmou a docente.

A proposta do grupo de extensão é reunir alunos, professores e especialistas para produzir conhecimento técnico que auxilie na construção de diretrizes alinhadas aos desafios contemporâneos.


Resiliência: Para além da Segurança Cibernética

A abertura do evento contou com o professor Fernando do Couto Henriques Júnior, coordenador da graduação em Direito da ESEG, e Beatriz Dias Rizzo, sócia do Dias Rizzo Sociedade de Advogados, que destacaram a capacidade da faculdade em dar voz a temas de grande importância. 

No primeiro painel, Valdir Assef Junior, gerente de Segurança Cibernética da FEBRABAN; Márcia Mônica Nogueira Mendes, perita criminal federal; e Richard Gantus Encinas, promotor do CyberGaeco/MPSP, exploraram o conceito de resiliência e os desafios para sua consolidação no Brasil.

O debate enfatizou que a resiliência não significa apenas evitar ataques, mas desenvolver a capacidade de adaptação, resposta e recuperação diante de crises digitais. “É deixar de pensar ‘se eu for atacado’ para ‘quando eu for atacado, qual atitude tomarei e como evitarei que aconteça novamente?’”, pontuou Márcia. 


Panorama Normativo e Setores Estratégicos

O segundo painel, com a participação de Juliana Abrusio, do Comitê Nacional de Cibersegurança, e João Paulo Orsini Martinelli, do Ministério da Justiça, trouxe um diagnóstico do cenário brasileiro. 

Embora o crime tenha migrado para o ambiente digital em busca de lucro, é possível notar que o Estado ainda carece de braços para fiscalização e punição. 

Juliana destacou que a população ainda se sente perdida ao enfrentar problemas digitais e não sabe como recorrer, mesmo o Brasil tendo muitos regimentos. “A gente tem muito regulamento, mas falta braço para fiscalização e para punição”, relatou a especialista. 

Durante sua participação, Juliana também apresentou casos e dados sobre cibersegurança no Brasil, incluindo a redução de ataques virtuais a bancos, que passaram de cerca de 500 para 12 incidentes ao ano. Deixando claro que a prevenção é, hoje, mais vital do que a repreensão.

Já o encerramento, liderado por Celso Poltronieri Neto, da C3W Consult; Cristina Godoy, membro do comitê gestor do CIAAM/USP; e Álvaro Teófilo, docente do IBGC, focou nos impactos da vulnerabilidade digital em setores críticos como energia, telecomunicações e sistema financeiro.


Impacto Acadêmico

Para os alunos de Direito da Faculdade ESEG, o simpósio foi uma oportunidade de entender a aplicação prática das leis em um mundo onde a Constituição é anterior à internet. 

Gabriel Costa de Toledo Piza, aluno do primeiro semestre de Direito, destacou o valor da experiência: "Este simpósio me permitiu ter uma visão mais ampla de como a lei deve acompanhar a evolução tecnológica e entender as lacunas jurídicas que existem nesse cenário”.


Relevância do evento para a sociedade 

Para Valdir Assef Junior, gerente de Cibersegurança da FEBRABAN e mediador do primeiro painel, a discussão é urgente e estratégica para diferentes áreas da sociedade. “É um tema super atual e importante para o mercado, para o Estado e para a academia. É uma iniciativa inovadora para a área do Direito e muito relevante para abrir novas perspectivas para os estudantes que estão entrando em um mercado em transformação”, destacou.

Ao final do encontro, o simpósio reforçou a necessidade de que a sociedade e as instituições precisam deixar de pensar apenas na reação a ataques e avançar para estratégias de preparação, adaptação e continuidade operacional diante de possíveis crises digitais.

Com o sucesso desta primeira edição do Simpósio de Resiliência Digital, a Faculdade ESEG reafirma seu compromisso de ser uma voz ativa na construção de um ambiente digital mais seguro e resiliente para a sociedade brasileira.